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29/08: São Paulo
São Paulo
Clima de incertezas. Enquanto um está para nascer, o outro está para morrer. Os dois tão próximos a mim. Sempre aquela sensação de que o tempo é de dentro. E eis que a morte, a hora mais certa e solitária de alguém, se descortina todas as manhãs, exatamente à s 11:30. Às 11:30 há alguém na UTI que não me responde como antes. Delira com o passado, é estranho ser estranha a ele, 67. Não há como negar que a realidade interna é altamente perigosa e, ao mesmo tempo, intrigante demais. Não digo apenas da minha realidade, mas de todas que ouço por aÃ, por aqui. Ser "êxtimo", como bem inventou Lacan em suas metonÃmias muito bem pensadas , é um absurdo necessário. Sou capaz de enlouquecer de tanto ter ouvidos para o mundo. Não é ruim, é apenas uma forma de legitimar a minha vida de neurose normal.
Ouvindo Macy Gray... viajando na taça... olhando o centro pela janela... ter apartamento próprio e solidão nunca foram coisas tão possÃveis - e tão reais. Têm substância essas conquistas neuróticas (minhas).
Hoje, até a madrugada, quero assitir In Treatment para amanhã pensar no quanto a vida tem me ensinado. Acasos desse momento. Uma paz anônima, sem-nome, absoluta. É indizÃvel ser eu mesma, mas sou.
Ouvindo Macy Gray... viajando na taça... olhando o centro pela janela... ter apartamento próprio e solidão nunca foram coisas tão possÃveis - e tão reais. Têm substância essas conquistas neuróticas (minhas).
Hoje, até a madrugada, quero assitir In Treatment para amanhã pensar no quanto a vida tem me ensinado. Acasos desse momento. Uma paz anônima, sem-nome, absoluta. É indizÃvel ser eu mesma, mas sou.
09/06: De Malas Prontas
Não sei se os tipos que já se mudaram desta casa chegaram a mencionar o fato, ou simplesmente abriram a porta e se foram. Como quando não se despede do dono da festa só para não atrapalhar, ou porque simplesmente se está bêbado mesmo, impossibilitado de atender aos anseios dos convivas para que fique mais um pouco – ou quando a carona resolveu ir antes de virar abóbora. O fato é que estou de partida.En savoir plus ...
18/05: Luz no fim do túnel
Luz no fim do túnel
Inspirada no post do senhor Rústico, pelo qual tenho muita estima (pelo post, não pelo autor, hehe), e pouca pena, resolvi descrever e relembrar minha história fatÃdica com a medicina. Sempre fui pessoa de boa saúde fÃsica e tento manter o ritmo da vida com alguns cuidados básicos com relação à dieta alimentar, automedicação costumeira (oh!), passeios nos alpes, comprinhas no shopping (mentira, vai) e etc. Porém, certo dia, durante uma situação que não convém descrever no momento, achei um motivo de três cm que me levou à mesa do açougue, oops, ao hospital. SUS operando meu seio e retirando um nódulo "do tamanho de uma Bono", disse minha mãe, que recolheu o material para levarmos para análise posterior. Eis que sob efeito de anestesias, calmantes e demais narcóticos percebi que a enfermeira era uma ex-colega de escola, sorrindo para mim, tranqüila. É verdade. Fechei os olhos e dei boa noite a todos. Durante o processo eu vi o túnel! Clichê ou não, a verdade é que justamente a luz tão forte do túnel me fez acordar no meio da cirurgia, conseguindo sentir a dor que é ter o seio costurado, pois a anestesia não fazia mais efeito. Maxilares travados, ninguém percebeu que eu havia retornado a mim. A pequena equipe médica se divertia ouvindo música pop enquanto me costurava e limpava o sangue (sei que isso é real porque antes da cirurgia eles perguntaram o que eu queria escutar, mas obviamente não pedi nada especÃfico, presumindo que ali naquela semi-precária sala de cirurgia não haveria cds de bach, tampouco rolling stones). Queimava o mamilo aquela agulha perfurando a frágil pele bege. Fiquei desesperada por dez segundos talvez, que pareciam - na hipotética noção de tempo de uma pessoa sob efeito de medicamentos "alucinógenos" - dez minutos.
Após o pesadelo apenas lembro não conseguir abrir os olhos. Acho que não fiz tanto esforço nem quando empurrava quatro quilos (uau!) com as pernas na academia. Minhas pálpebras pareciam pesar oitenta toneladas e eu ia ficando meio vesga, vesga... até pedir desculpas, de olhos fechados, à pessoa que me falava, permanecendo consciente, porém totalmente submersa nos olhos que não conseguia manter abertos. Meio bizarro.
Fora isso, foi tudo jóia!
Depois falarei sobre a divertida estada no hospital, repito, pelo SUS, à mercê da averiguação amadora constante de estagiários de enfermagem, que manipulam os pacientes pós-operados como se fossem bonecos.
Após o pesadelo apenas lembro não conseguir abrir os olhos. Acho que não fiz tanto esforço nem quando empurrava quatro quilos (uau!) com as pernas na academia. Minhas pálpebras pareciam pesar oitenta toneladas e eu ia ficando meio vesga, vesga... até pedir desculpas, de olhos fechados, à pessoa que me falava, permanecendo consciente, porém totalmente submersa nos olhos que não conseguia manter abertos. Meio bizarro.
Fora isso, foi tudo jóia!
Depois falarei sobre a divertida estada no hospital, repito, pelo SUS, à mercê da averiguação amadora constante de estagiários de enfermagem, que manipulam os pacientes pós-operados como se fossem bonecos.
16/05:

Era sexta. Estava um pouco frio lá fora, mas aqui dentro do apê a coisa esquentou: tivemos um almoço e algumas boas taças de vinho. Os assuntos e as risadas esquentaram. Rimos tanto que doÃa a barriga. Esquentou nossa amizade de quilômetros.
Foi alaranjado o nosso encontro. Fazia um ano que não nos vÃamos, apesar de conversarmos quase todos os dias, virtualmente. Na despedida, ela não sabe, mas eu chorei ao sair do bar. Hoje, nada como degustar um café-creme em sua companhia que, invariavelmente, parece séria. No fundo é uma carente consciente cheia de coisas doces pra dizer.
Deu um up na minha semana, sabe. Até pintei as unhas de vermelho novamente e revisitei antigas fotografias.
Ah, de quebra revi o irmão dela, que me pareceu alguém legal pra conversar sobre coisas variadas (adoro gente variada, e ao contrário do que muitos pensam ecletismo é absorção de diversidade, não falta de opinião), desde os problemas sociais da cidade até a banda mais agitadinha do momento.
Ouvimos Ney Matogrosso e Franz Ferdinand numa boa.
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Londrina-Curitiba-São Paulo. A trÃade confusa da saudade dos bons tempos.
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Outra coisa que deu um up: uns novos amigos de clÃnica que vão surgindo. Adoro gente naturalmente leve. Continuo procurando meus alter egos, rs.
E tem a minha supervisora, uma pessoa direta e reta, bem Lacan e do jeito que eu gosto, hehe.
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Fora isso, fico meio deslumbrada ainda com as possibilidades. Tipo, conhecer pessoalmente os referenciais da psicanálise moderna é demais!
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A gente tem pego umas boas peças de teatro às sextas, quase de graça. O lance aqui em Sampa é ficar antenado sempre, porque a todo momento surge algo legal pra se fazer - a baixos custos, o que é igualmente importante.
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Amy Winehouse é óóóótima!
06/05: Das realidades.
Pois era para ser covarde e dar cabo à quela vida de ausências. E agora – sem bondade e com uma dor abissal – decide que viver é o melhor troco. O troco - e os altos preços – de uma espera-sem-fim, pela liberdade do imprevisÃvel. Troco tudo por uma tarde amena com sorvete. Trocaria, se pudesse, minha alma por uma fuga. A noite de tantas gentes alegres por um mantra que livrasse a tristeza de mim.
Na algibeira do jeans mal-passado um resto de bem-querer que – pÃfio – samba entre o lixo e o fundo da gaveta.
Hoje todos os verbos estão no passado e acredito que isso pode trazer o futuro. Sou passageira da agonia – hoje o tÃtulo é meu. Minha angústia são os gritos secos-ocos pela rua madrugadeira. São os socos-ocos que levei do vento ao sair de casa, só. Minha angústia não tem dono: é uma vadia que ronda os computadores do centro, penetrando a redoma de vidro que se constrói ao redor daquilo em que – enxergar, sentir, entender – equivocadamente se crê. (Mira, eu já não estava conseguindo ser muito.) Agora meu saldo de vivacidade e bom humor – coisas que quase nunca tive - é negativo. Mas a boa-vontade com o mundo me retro-alimenta.
Agora a pouco, madrugada alta nas ruas do centro, acompanhei um cortejo. A "banda da cidade" navalhou as ruas sombrias com música e cor. Era eu quem a apresentava aos transeuntes que invariavelmente dormem debaixo das marquises. Era eu que fingia ter uma batuta nas mãos, comandando a folia inocente da virada cultural. Sorri, ébria, debruçada sobre meus desencantos, tropeçando nas garrafas. Era eu, inclusive, que deixei inundar as calçadas com um contentamento despropositado com a vida, tão presente nos rostos da noite, tão presente nos sábios – dissimulação minha.
Eu parecia um palhaço desiludido, fotografia óbvia em p&b. Sorriso amarelo, saltando pelos postes decorados, a cidade acesa e liquefeita.
Aquelas marchinhas eram para que a tristeza se desgarrassse de mim e, solidamente, se grudasse em qualquer mais frágil. Era eu ali, insana, sem pele, exposta ao sal e ao rancor, exposta à madrugada fria que penteia meus cabelos quando viro a esquina - e já não vejo mais a banda. Era eu que fingia estar feliz.
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grey...
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guilherme, pois é, sou campeã mesmo, rs.
28/04: Bolo frio

Mais um bolo. Ficarei gorda e você sem jeito. Hoje me espera mais uma tarde de amenidades e - por que nunca? - aquele nosso passeio no museu. Era Clarice sentada naquele banco onde nós duas, amigas de solidão, conversávamos sobre os amores do futuro. Lembra do suco de maracujá? Lembro-me do pôr-do-sol na UEL e das risadas. O pavor dos pôres-do-sol, mas aquele foi inusitado. ParecÃamos renovadas da rotina. Você chegava na cidade como hóspede, eu quase já não era mais anfitriã também. Tudo mudando e a gente duvidando que as coisas mudam. Tudo girando, girando, cheio de brilho, e a gente fechando cortinas, inventando cores. Aquarela-de-medo-do-novo. Sabe?, daqui de cima tudo é mais solidificado que você pensa. Ontem, inclusive, se quebrou uma certeza aqui dentro: o tempo urge, sim. Corre louco pelas ruas. Mas ainda me toma a parcimônia, porque sou continente de suas ausências. Eu engordo e você fica sem jeito. De novo. Talvez seu relógio funcione diferente do meu. Ou o contrário, porque não acordo cedo todos os dias e à s vezes gosto de café de madrugada. Talvez seja isso, que se ergue entre o tempo de cada uma de nós. E olha que para nossa amizade meu tempo poderia ser infinitamente maior que cinqüenta minutos - e bem mais leve que a obrigação dos problemas. Pergunto-me se você sabe disso, e ao mesmo tempo tento fugir.
Liguei pra te dizer, Girasol, que se vire para o sol novamente.
É lá onde estão os doces e as nossas cores preferidas.
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Linka aqui. Los Alamos.
Só que hoje eu tô meio Cardigans.
22/03:
Hoje ela voltou a ser Maria-Ninguém. Voltou ao envólucro melequento e quente da busca pelo não-se-sabe-o-quê. Hoje ela voltou a ser a que não pega metrô diariamente e não se recrimina por ensaiar passos de dança de boate na escada rolante. Maria-Ninguém é mulher florida que acorda para o mundo, não para seu umbigo. É daquelas que, quando o outono chega, já se enfeita com um cachecol de crochê e põe no sorriso uma pitada de alegria por estar, ao menos, viva, porque espera simplicidade das pessoas. Certo dia Maria-Ninguém se perguntou por que é que as pessoas lutam tanto para serem livres – financeiramente, significaria "ter sucesso", afetivamente poderia ser "encontrar um amor (ou não amar ninguém)", espiritualmente poderia ser a percepção de fazer realmente parte do universo. Essa mulher, a Fulaninha, como era carinhosamente apelidada pelos colegas de trabalho – um gato, um computador e milhões de pensamentos que voavam pelo turno -, queria impedir o movimento da vida, que, inevitavelmente, arrancava-lhe os cabelos: para que a pressa, se a mola propulsora da vida é saber onde se pisa, para que o acerto seja nada mais que o resultado, não o inÃcio? Maria-Ninguém nunca compreendia como tanta gente pode lutar para se ter o mÃnimo de dignidade, se não se consegue, ao menos, saber lutar.... e seguia com os olhos fixos na janela do ônibus, ao fim de seu último dia de trabalho naquele escritório, sentindo o outono nos cabelos e o olhar esfriando como a cidade. Queria apenas ser livre à sua maneira: ser leve, amena, fluida. Fazer de conta que a selva de concreto é apenas um dia de temporal. Livre de seus próprios pensamentos.
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16/03: MiCrOcAoS
Enfim, a montanha russa. Hoje é sexta e, não sei se por isso, os metrôs da Sé (o entroncamento mais absurdo que já vi) estavam meio vazios. Sorri com a possibilidade de um banco para me sentar durante o trajeto. Havia um apenas, mas um velhinho que adentrou o vagão olhou singelamente para o mesmo banco que eu estava cobiçando. Fiz sinal para que ele se sentasse, então. Escutava o Samba De Uma Nota Só, venerando as belas paisagens sonoras que só o Tom sabe construir em mim. O metrô parou dentro de um túnel, comando dos computadores das máquinas, que devem sempre fazer o trem chegar nos segundos exatamente calculados, partindo frio, sem dizer adeus a ninguém. Ali, dentro do túnel, meu coração disparou. Me descompensei ao imaginar que estava a, no mÃnimo, três nÃveis abaixo do solo, por vezes andando por baixo de rios, praças, edifÃcios. Penso: - meu deus, como pode isso?! Minhas pernas começaram a tremer, olhei ao redor e vi que as pessoas continuavam com suas caras blases e sonolentas, algumas cochilando, outras lendo, outras divagando. Meu estômago se contorceu mais uma vez e senti a pressão baixando, abrindo as portas para o espÃrito ir embora dali. Um quase desmaio e o medo de perder o controle de mim mesma me fez relembrar dos tantos casos de sÃndrome do pânico que atendi durante a faculdade e do quanto é sofrido temer não se sabe o quê. Me senti envergonhada, abalada, torpe. Quis gritar, correr, ver o céu, o dia, conversar com alguém que fosse humano. Nos últimos dias tive duas crises nervosas que devem ter destruÃdo meu corpo, porque acordo dolorida todas as manhãs e não paro de pensar no quanto é ameaçador morar no centro da cidade. Vejo todas as noites os mesmos guris pipando crack e observo as viagens deles de longe. Vejo gente sendo golpeada, saqueada, espancada, assaltada. Ando tendo medo de tudo, inclusive de coisas que mal imagino o que sejam. Tenho medo de mim, de minha falta de controle diante das situações em que não agir é o melhor - e talvez tenha medo de começar a odiar essa cidade. Estou cindida pela revolta com relação à s coisas que vejo nas ruas e o desejo de permanecer aqui, porque - pode parecer estranho - amo a vida aqui. Estava demorando para eu cair do penhasco, demorou para eu perceber que meu destino custa pouco para tantos riscos. Chego em casa e vejo que as baratas passaram a tarde festejando, enquanto meu namorado me abraça perguntando como foi o dia e o porquê do meu senho constantemente franzido. Queria poder dividir com alguém todas essas discrepâncias que vivo em curtos espaços de tempo, esse medo, o coração que dispara e quase me faz enlouquecer. Hoje é sexta e durante o fim de semana pretendo me transportar para outras paisagens, passear, ver as pessoas saudáveis correndo no Ibirapuera, curtir o sol, tomar água de côco, talvez ir ao cinema ou visitar os amigos. Domingo vai ter um show do Trilobita (aff, ok, "Trilöbit") perto de casa e talvez eu vá. Quero estar em paz e resgatar minha rotina tranqüila, talvez fazer ioga e sem falta um tratamento para a coluna, que anda com problemas graves. Quero cuidar de mim, mas está tão difÃcil... estou rodeada de possibilidades, tenho dinheiro, trabalho, tenho um apê que amo, tenho um amor, há os amigos, a famÃlia, a psicanálise, as fotografias, meu caderno de escritos, a ficcus golden que a gente comprou... mas não estou em paz, porque me sinto frágil, muito frágil, e incapaz de resolver isso que eu nem sei o que é ainda.
Um brinde à bela realidade que me chicoteia, impiedosa.
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Samba De Uma Nota Só - Tom Jobim.
Um brinde à bela realidade que me chicoteia, impiedosa.
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Samba De Uma Nota Só - Tom Jobim.
11/03: Tim-Tim
Chegou o tempo em que comemorar a conquista de um emprego significa perder o domingo passando mal. E pior, até me conformo com isso, porque os calendários são implacáveis e as noites... bem, as noites são o berço do inferno, onde deitam as dúvidas mais ingênuas e as mais estúpidas certezas. Digam o que quiserem: me sinto envelhecida, cansada e com a sensação de já ter visto o próximo filme umas dez mil vezes.
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som pra viajar e sair do corpo?
Cocteau Twins
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som pra viajar e sair do corpo?
Cocteau Twins