Pois era para ser covarde e dar cabo àquela vida de ausências. E agora – sem bondade e com uma dor abissal – decide que viver é o melhor troco. O troco - e os altos preços – de uma espera-sem-fim, pela liberdade do imprevisível. Troco tudo por uma tarde amena com sorvete. Trocaria, se pudesse, minha alma por uma fuga. A noite de tantas gentes alegres por um mantra que livrasse a tristeza de mim.
Na algibeira do jeans mal-passado um resto de bem-querer que – pífio – samba entre o lixo e o fundo da gaveta.
Hoje todos os verbos estão no passado e acredito que isso pode trazer o futuro. Sou passageira da agonia – hoje o título é meu. Minha angústia são os gritos secos-ocos pela rua madrugadeira. São os socos-ocos que levei do vento ao sair de casa, só. Minha angústia não tem dono: é uma vadia que ronda os computadores do centro, penetrando a redoma de vidro que se constrói ao redor daquilo em que – enxergar, sentir, entender – equivocadamente se crê. (Mira, eu já não estava conseguindo ser muito.) Agora meu saldo de vivacidade e bom humor – coisas que quase nunca tive - é negativo. Mas a boa-vontade com o mundo me retro-alimenta.
Agora a pouco, madrugada alta nas ruas do centro, acompanhei um cortejo. A "banda da cidade" navalhou as ruas sombrias com música e cor. Era eu quem a apresentava aos transeuntes que invariavelmente dormem debaixo das marquises. Era eu que fingia ter uma batuta nas mãos, comandando a folia inocente da virada cultural. Sorri, ébria, debruçada sobre meus desencantos, tropeçando nas garrafas. Era eu, inclusive, que deixei inundar as calçadas com um contentamento despropositado com a vida, tão presente nos rostos da noite, tão presente nos sábios – dissimulação minha.
Eu parecia um palhaço desiludido, fotografia óbvia em p&b. Sorriso amarelo, saltando pelos postes decorados, a cidade acesa e liquefeita.
Aquelas marchinhas eram para que a tristeza se desgarrassse de mim e, solidamente, se grudasse em qualquer mais frágil. Era eu ali, insana, sem pele, exposta ao sal e ao rancor, exposta à madrugada fria que penteia meus cabelos quando viro a esquina - e já não vejo mais a banda. Era eu que fingia estar feliz.
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grey...
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guilherme, pois é, sou campeã mesmo, rs.